Grito! Mas ninguém ouve nem mesmo eu. Paredes isoladoras encurralam-me nesta escuridão. Monstros descem pelas paredes e esperam outro grito meu. Não aguento mais... Grito! Nada nem ninguém ouvi-o mas eu percebi tudo. Monstros estes roubadores da minha voz, eles trepam, falam, gritam, mexem-se, saltam, gemem, vivem... Sufocam todos os sons omitidos por mim. Sufocam as palavras que eu tentei dizer e não as deixam sair para este mundo tão fechado que tenho de chamar meu. Sozinha, Acompanhada nada é diferente pois nada muda. Eles continuam lá a sufocar cada esforço meu para ser ouvida, eles vão lá estar sempre a apoderar-se da minha palavra.
Fecho os olhos com força na esperança de quando os abrir eles já não estarem lá mas nada disso aconteceu. Abri os olhos e quase se colavam a mim, não conseguia distinguir nada para além de vultos pretos e desta vez até mesmo o ar me tiravam. Já mal respirar consigo, já mal tenho forças para lutar contra eles.
E mais uma vez eles voltam a apoderar-se de mim.
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