Não tenho uma maneira de ser, simplesmente sou!

segunda-feira, 13 de abril de 2015

Palavras ditas por mim são apagadas da tua história, sons vindos de mim são abafados por múrmuros gigantes os quais tu dás ouvidos. Falo, grito, expludo e mesmo assim ninguém me ouve. Voz apagada por tudo o que o mundo tem. Palavras esquecidas, e pensamentos ignorados.
Questiono-me.. Para quê falar se ninguém nos dá ouvidos? Tento ser ouvida, entendida e de nada vale. Fico sem forças, sem vontade e sem qualquer tipo de necessidade em me expressar. Torno-me um fantasma num mundo onde as pessoas dizem viver.
Questiono-me.. Que faço eu aqui? Mundo cruel e sem sentido, mundo no qual eu não me encaixo, sinto-me uma peça a mais neste puzzle chamado Universo.
Quero gritar... Quero gritar o mais alto possível e mesmo assim saberia que tu não me ouvirias.
Quero trancar-me, prender-me, selar-me, fugir, desaparecer. Quero distância. Quero o meu mundo de volta, aquele que é só meu, aquele que eu me perdia por horas a fio. Quero voltar a ficar sozinha no meu canto onde eu poderia falar e só eu me poderia ouvir.
Desisto de falar palavras incompreendidas por almas ainda mais perdidas que a minha. Não consigo viver sem me fazer escutar, mas prefiro fugir a ter de perceber que contigo não consigo ficar.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Grito

Grito! Mas ninguém ouve nem mesmo eu. Paredes isoladoras encurralam-me nesta escuridão. Monstros descem pelas paredes e esperam outro grito meu. Não aguento mais... Grito! Nada nem ninguém ouvi-o mas eu percebi tudo. Monstros estes roubadores da minha voz, eles trepam, falam, gritam, mexem-se, saltam, gemem, vivem... Sufocam todos os sons omitidos por mim. Sufocam as palavras que eu tentei dizer e não as deixam sair para este mundo tão fechado que tenho de chamar meu. Sozinha, Acompanhada nada é diferente pois nada muda. Eles continuam lá a sufocar cada esforço meu para ser ouvida, eles vão lá estar sempre a apoderar-se da minha palavra.
Fecho os olhos com força na esperança de quando os abrir eles já não estarem lá mas nada disso aconteceu. Abri os olhos e quase se colavam a mim, não conseguia distinguir nada para além de vultos pretos e desta vez até mesmo o ar me tiravam. Já mal respirar consigo, já mal tenho forças para lutar contra eles.
E mais uma vez eles voltam a apoderar-se de mim.