As pessoas aproximam-se e tudo fica desfocado, não consigo ver bem, não sei onde estou, que mundo é este em que me encontro neste momento? Não percebo nada à minha volta e por vezes parece até que não sou eu que aqui estou, sou uma simples espectadora neste mundo tão grande. Sinto que o tempo passa e eu não saio do mesmo sitio. Estou dentro dum poço e a única coisa que vejo é o sol passar e o dia tornar-se noite e a noite tornar-se dia.
Sinto-me a tremer, tenho medo, vejo uma mão descer o poço e tentar-me alcançar. Não tenho coragem para a agarrar, mas fico ao seu lado a contempla-la o que acontecerá se a agarrar, serei eu puxada para cima e libertada desta prisão que a minha mente se tornou ou acabarei por cair novamente ao tentar subir e não conseguirei voltar a encontrar a paz que antes tinha restaurado. Tenho medo! Medo de sentir, de querer demasiado. Medo de criar expectativas e acabar por me desiludir como todas as vezes acontecem. Dou por mim horas a pensar naquela mão, mesmo quando não a vejo sei que ela está ali, não sei se à minha espera ou é mera coincidência, mas sinto medo dela. Sinto medo da esperança que ela me dá e das desilusões que ela pode acabar por me submeter.
Devo eu fugir ou segurar esta mão com toda a minha força à espera de não voltar a cair?